Como saber se meu filho tem TDAH?
O TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) é um transtorno do neurodesenvolvimento. Isso quer dizer que há um atraso no desenvolvimento de algumas áreas do cérebro, especialmente das chamadas funções executivas.
As funções executivas são habilidades que usamos para organizar nossas ações e pensamentos, planejar o que fazer, perceber o tempo de forma adequada, controlar impulsos, manter o foco e lidar com as emoções.
No TDAH, essas áreas se desenvolvem em um ritmo mais lento, o que pode causar dificuldades no dia a dia, especialmente em ambientes que exigem atenção, organização e controle emocional, como a escola.
Mas é importante dizer: esse atraso não significa que a pessoa não vai desenvolver essas habilidades. Com o diagnóstico certo e os estímulos adequados, é totalmente possível que ela fortaleça essas funções e alcance um bom nível de funcionamento, assim como qualquer outra pessoa.
Comportamentos mais comuns em crianças
Em crianças, os sinais mais fáceis de perceber geralmente envolvem a agitação e a desatenção. Mas é sempre importante lembrar que toda criança pode ser agitada e distraída em alguns momentos, por isso esses sinais isolados não significam que ela tem TDAH.
Algumas características que podem chamar atenção:
A criança tem dificuldade de ficar sentada e quieta em momentos em que isso é necessário (como em sala de aula ou durante as refeições);
✓ Costuma falar bastante, interromper, trocar de assunto rápido ou parecer “ligada no 220”;
✓ Se distrai facilmente, começa uma atividade e logo perde o foco;
✓ Parece não prestar atenção ao que foi pedido ou não lembrar o que acabou de ouvir;
✓ Esbarra muito nas coisas, parece estar “voando” no espaço, como se estivesse sempre no próprio mundo.
É comum que os primeiros sinais apareçam no ambiente escolar, pois é lá que as exigências de atenção, organização e controle são mais evidentes. Muitas vezes, professores são os primeiros a notar que algo está diferente e sugerem que os pais observem com mais atenção.
Comportamentos comuns em adolescentes
Com o passar do tempo, algumas características mudam. A agitação que antes era muito visível no corpo e na fala pode continuar, mas muitas vezes fica mais internalizada.
Isso quer dizer que o adolescente pode parecer mais tranquilo por fora, mas por dentro está com os pensamentos acelerados, pulando de ideia em ideia, com dificuldade para focar ou se organizar.
Outros sinais que podem aparecer nessa fase:
✓ Impulsividade e dificuldade de pensar antes de agir;
✓ Mudanças de humor e dificuldade para regular emoções (raiva intensa, frustração exagerada, ansiedade, entre outros);
✓ Esquecimentos frequentes, perda de prazos, dificuldade para manter a organização com tarefas da escola;
✓ Sensação constante de estar atrasado, de não conseguir “dar conta de tudo”;
✓ Comparação com os colegas, baixa autoestima e sensação de que não é tão capaz quanto os outros.
Muitos adolescentes com TDAH vivenciaram várias dificuldades na infância, principalmente no ambiente escolar, e isso pode ter deixado marcas. Quando não compreendidos ou diagnosticados a tempo, podem começar a acreditar que têm algum “defeito” ou que “não são inteligentes”, o que prejudica a autoconfiança e o bem-estar emocional.
Então, como saber se meu filho tem TDAH?
Todos esses sinais que listamos podem acontecer com qualquer criança ou adolescente, mesmo sem TDAH. Por isso, só um profissional qualificado pode fazer uma avaliação correta.
Essa avaliação não é feita apenas com uma conversa, mas com um processo que envolve escuta, observação e aplicação de testes que analisam o funcionamento do cérebro e do comportamento.
Buscar esse diagnóstico é muito importante. Saber que uma criança ou adolescente tem TDAH ajuda a entender de onde vêm certas dificuldades, a aliviar culpas e frustrações e, principalmente, a oferecer os estímulos certos para que ela possa se desenvolver e alcançar seu potencial.
TDAH não é preguiça, nem falta de esforço. É uma forma diferente de se desenvolver e com o acompanhamento certo, é possível sim crescer com mais autonomia, autoestima e qualidade de vida.