TDAH é uma doença?

Não. O TDAH não é uma doença.
Mesmo que muitas pessoas ainda falem ou pensem assim, o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) não pode ser classificado como uma doença, de acordo com a definição que a medicina usa para esse termo.
Uma doença é, geralmente, algo que envolve um problema no funcionamento do corpo ou de algum órgão, causado por fatores como infecções, alterações genéticas, lesões ou outros desequilíbrios fisiológicos. Em muitos casos, é possível fazer exames físicos, de sangue ou de imagem, e encontrar alterações específicas que explicam os sintomas.
Já o TDAH é considerado um transtorno. E sim, entendemos que essa palavra também pode causar confusão, porque a palavra “transtorno” abrange muitas coisas diferentes.

O que significa “transtorno”?

No campo da saúde mental, transtorno é um termo que usamos para organizar sintomas e padrões de funcionamento que causam algum tipo de prejuízo para a pessoa.
Existe um manual chamado DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), que é utilizado por psicólogos, psiquiatras e outros profissionais da saúde no mundo todo. Nele, são listados os transtornos mentais e do desenvolvimento, como o TDAH, a depressão, a ansiedade, entre muitos outros.
Mas é importante entender que nem todos os transtornos são parecidos entre si.
Alguns transtornos são, de fato, mais parecidos com doenças — porque envolvem desequilíbrios químicos ou biológicos mais evidentes, e podem ser tratados com medicamentos específicos que regulam o corpo da pessoa.
Mas outros transtornos não são assim. Alguns envolvem sintomas emocionais, outros estão ligados a dificuldades de aprendizagem, e há também os chamados transtornos do neurodesenvolvimento, que é onde o TDAH se encaixa.

TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento

Isso quer dizer que durante o desenvolvimento do cérebro da pessoa com TDAH, houve um atraso no amadurecimento de algumas áreas cerebrais, principalmente aquelas responsáveis pelas chamadas funções executivas.
Essas funções são como “chefes” que organizam tudo o que pensamos e fazemos:

✓ Planejar e organizar tarefas;

✓ Controlar os impulsos;

✓ Manter o foco;

✓ Perceber o tempo e saber se organizar dentro dele;

✓ Lidar com emoções de forma equilibrada.

Quando há um atraso nesse desenvolvimento, a pessoa passa a ter dificuldades nessas áreas. Isso pode afetar a forma como ela aprende, se relaciona com os outros e vive o dia a dia. Mas não é porque ela é menos capaz — é porque o cérebro dela está se desenvolvendo em outro ritmo.

E esse atraso pode ser trabalhado? Sim!

Diferente de uma doença, que muitas vezes precisa de remédios para tratar um problema físico do corpo, o TDAH precisa de estímulos específicos para ajudar no desenvolvimento das funções executivas.
Pessoas que não têm esse atraso conseguem desenvolver essas habilidades naturalmente com as experiências da vida — aprendem com os erros, criam estratégias para se organizar, e o cérebro vai amadurecendo com o tempo.
Já quem tem TDAH precisa de ajuda especializada. Isso pode vir por meio de acompanhamentos com neuropsicopedagogos, psicólogos, psiquiatras, ou outros profissionais que saibam como ajudar essa pessoa a desenvolver o que está em atraso.
Apenas as situações do dia a dia não são suficientes para provocar esse desenvolvimento.
Por isso, ter um diagnóstico e buscar apoio é tão importante: para entender o que está acontecendo, aliviar a culpa e receber os estímulos certos para crescer com mais autonomia, equilíbrio e autoestima.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima