Qual a diferença entre TDAH e desatenção comum?
Um dos sintomas mais comuns associados ao TDAH, como o nome já indica, é a dificuldade em manter a atenção.
Mas é importante lembrar que todas as pessoas podem se sentir desatentas em alguns momentos. Então como diferenciar isso de um transtorno?
O que é atenção?
Atenção é uma função cognitiva do cérebro. Diferente do que muitos pensam, ela não é uma qualidade (como fazer algo “com atenção” ou “sem atenção”).
Na verdade, é um mecanismo ativo que direciona o foco para algo, enquanto ignora outros estímulos.
Nosso cérebro recebe milhões de estímulos por segundo, vindos de todos os nossos sentidos. Internamente e externamente, estamos o tempo todo percebendo sons, cheiros, imagens, pensamentos…
Por isso, ele precisa selecionar o que será priorizado naquele momento. Essa seleção é o que chamamos de atenção.
Esse foco pode ser consciente (quando escolhemos prestar atenção em uma tarefa), ou automático (como quando ouvimos um barulho alto e nossa atenção se volta imediatamente para ele).
O que acontece com a atenção do TDAH?
A pessoa com TDAH tem mais dificuldade para manter e redirecionar a atenção de forma consciente.
Ela tende a perder esse controle com mais facilidade, porque o cérebro dela não consegue filtrar e priorizar os estímulos de forma eficiente. Isso interfere no foco, na produtividade e até na organização da rotina.
Nem toda desatenção é TDAH
Existem muitas situações que também afetam a nossa capacidade de focar, como: estresse, burnout, ansiedade, depressão, cansaço, excesso de estímulos no ambiente e sensações físicas, como dor ou estar gripado.
Isso acontece porque o direcionamento da atenção é uma atividade que consome muita energia mental. Então, sempre que o cérebro percebe que está em uma situação de sobrecarga, cansaço ou desequilíbrio emocional, ele tende a economizar energia, e uma das primeiras funções que ele reduz é justamente a atenção.
É como se o cérebro dissesse: “Estou com pouca bateria, preciso focar só no essencial agora.”
Quando buscar ajuda?
Se a pessoa está se percebendo mais desatenta do que o habitual por um período prolongado, e isso tem atrapalhado sua rotina, o ideal é procurar ajuda profissional.
Uma avaliação cognitiva, feita por um neuropsicopedagogo ou neuropsicólogo, pode ajudar a entender qual é a origem da desatenção e orientar quais caminhos seguir.